Mato Grosso,

sábado, 16

de

maio

de

2026
No menu items!


 

InícioDestaquesPolícia Civil investiga possível alteração em cena de morte de servidor baleado...

Polícia Civil investiga possível alteração em cena de morte de servidor baleado pela PM em MT

Power Mix

A Polícia Civil investiga possíveis irregularidades na ação policial que terminou com a morte do servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano, Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, baleado durante uma ocorrência da Polícia Militar na segunda-feira (12), no bairro Goiabeiras, em Cuiabá/MT.

As apurações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) indicam que a cena da morte pode ter sido alterada após os disparos. Segundo a investigação, o corpo da vítima teria sido colocado em uma posição considerada incompatível com a dinâmica do crime.

Outro ponto que levanta suspeitas é a localização da arma atribuída ao servidor. Conforme a Polícia Civil, o revólver que, inicialmente, estaria na cintura de Valdivino não foi encontrado no local da forma relatada na versão inicial apresentada.

A conduta dos policiais militares envolvidos na ocorrência também passou a ser investigada. De acordo com as informações apuradas até o momento, não teria havido tentativa de negociação antes da entrada dos agentes no imóvel.

Receba as informações do ATUALMT através do WhatsApp:
Clique aqui para receber as notícias no seu WhatsApp.

A enteada de Valdivino estava ao lado dele no momento dos disparos e, segundo a investigação, também poderia ter sido atingida durante a ação.

Conforme o delegado Bruno Abreu, responsável pelo caso, o laudo de necropsia apontou que a vítima foi atingida por seis disparos — três no peito, um na coxa, um nas costas e outro de raspão na parte de trás da cabeça. O tiro na cabeça atravessou a região, mas não atingiu o crânio.

Ainda segundo a Polícia Civil, quando os investigadores chegaram ao local, Valdivino já estava desarmado. A arma atribuída ao servidor se encontrava em posse dos policiais militares e havia sido retirada da cena do crime.

O delegado informou que os policiais envolvidos na ocorrência ainda deverão prestar depoimento para esclarecer a dinâmica da ação.

Abordagem policial é questionada

A investigação também tenta entender como ocorreu a entrada da PM na residência. Segundo Bruno Abreu, em situações envolvendo possível cárcere privado ou ameaça, é comum que haja negociação ou contato prévio antes de uma intervenção, procedimento que, segundo ele, não ocorreu neste caso.

Outro ponto investigado é quem acionou a polícia. Conforme o delegado, testemunhas relataram que Valdivino teria pedido para que a PM não fosse chamada.

Ainda de acordo com depoimentos colhidos pela DHPP, o servidor teria aberto a porta da residência para permitir a saída da enteada quando encontrou os policiais militares na entrada do imóvel.

Entenda o caso

Segundo a Polícia Militar, equipes foram acionadas após denúncias de que a ex-enteada de Valdivino estaria dentro da residência e que o servidor estaria armado, ameaçando tirar a própria vida. A motivação seria o fim do relacionamento com a ex-companheira.

Um vídeo gravado dentro da casa mostra Valdivino segurando uma arma e afirmando que morreria naquele dia, enquanto conversava com a adolescente.

A PM informou que, ao chegarem ao local, os policiais ouviram pedidos de socorro vindos do interior da residência. Diante da situação e da informação de que havia uma arma no imóvel, os agentes decidiram entrar na casa para preservar a integridade da jovem.

Conforme a versão da corporação, os policiais pularam o muro e, durante buscas no quintal, visualizaram pela janela Valdivino apontando a arma para a cabeça da vítima. A família do servidor, no entanto, contesta a narrativa apresentada pela PM.

Em nota, a Escola Estadual Liceu Cuiabano lamentou a morte do servidor e suspendeu as aulas na terça-feira (12). A unidade destacou que Valdivino era conhecido carinhosamente como “Pai” e costumava chamar os alunos de “filhos” e “filhas”.

Últimas notícias