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Um estudo publicado na revista científica JAMA Health Forum aponta que adolescentes que usam cannabis têm risco significativamente maior de desenvolver transtornos psiquiátricos na vida adulta jovem. A pesquisa acompanhou 463.396 jovens entre 13 e 17 anos ao longo de quase uma década.
Os dados indicam que o consumo da substância está associado ao dobro do risco de diagnósticos como transtornos psicóticos e bipolares, além de aumento nos casos de depressão e ansiedade. As informações foram obtidas a partir de prontuários eletrônicos de consultas pediátricas realizadas entre 2016 e 2023, com acompanhamento dos participantes até os 25 anos.
De acordo com o psiquiatra Gabriel Okuda, o estudo se destaca pelo tamanho da amostra e pelo tempo de acompanhamento. “Pesquisas desse porte ainda são raras e ajudam a entender melhor o desenvolvimento de transtornos mentais”, afirma.
O especialista explica que o período entre a adolescência e o início da vida adulta é marcado pelo desenvolvimento do cérebro, especialmente do córtex pré-frontal, responsável por funções como controle de impulsos, tomada de decisão e regulação emocional. A exposição a substâncias psicoativas nessa fase pode interferir nesse processo.
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Uma das hipóteses para a relação entre cannabis e transtornos mentais envolve o tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da droga. Segundo o médico, a substância pode aumentar a liberação de dopamina em áreas do cérebro associadas ao surgimento de sintomas psicóticos.
Outro fator apontado é o aumento da potência da cannabis disponível atualmente. Enquanto no passado os níveis médios de THC eram mais baixos, hoje há produtos com concentrações significativamente mais elevadas, o que intensifica os efeitos no organismo.
A pesquisa também identificou uma relação entre o uso da substância e quadros de depressão e ansiedade. Segundo os especialistas, essa relação pode ser bidirecional: jovens com sintomas emocionais podem recorrer à droga, enquanto o consumo também pode agravar esses quadros.
Apesar de a associação perder força com o avanço da idade, possivelmente devido ao amadurecimento cerebral, o impacto do uso precoce pode deixar sequelas. Entre os efeitos apontados estão prejuízos cognitivos, como dificuldades de memória, atenção e concentração, além de maior risco de dependência.

Especialistas alertam que sinais como isolamento social, queda no rendimento escolar, irritabilidade e mudanças de comportamento podem indicar problemas e devem ser acompanhados de perto. Em casos mais graves, como crises de ansiedade ou sintomas psicóticos, a orientação é buscar atendimento médico imediato.
O estudo reforça a importância da prevenção e do diálogo entre familiares e adolescentes sobre o uso de substâncias e seus impactos a longo prazo.



