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O braço direito do faccionado Gilmar Reis da Silva, o “Vovozona”, identificado como A.A.S.N., foi preso pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (10) no Rio de Janeiro (RJ). A prisão ocorreu em uma conveniência próxima a uma praia no Recreio, e com ele foi apreendida uma caminhonete S-10 adquirida por meio de atividades criminosas.
Segundo as investigações, A.A.S.N. atuava como responsável pelo repasse de valores entre a liderança da facção e os membros de “ponta”, funcionando como uma espécie de contador do grupo. Ele também era encarregado de adquirir e transportar veículos de luxo para o Rio de Janeiro, destinados ao líder da organização criminosa.
Durante as apurações, os investigadores identificaram que uma BMW utilizada pelo grupo estava registrada em nome de uma empresa ligada a uma operadora financeira da facção, presa anteriormente no Paraná. Além disso, o suspeito possui antecedentes por tráfico de drogas e mantinha uma empresa de fachada registrada em Lucas do Rio Verde.
O delegado Marlon Luz, responsável pela operação, destacou que os elementos apurados indicam crimes de uso de documentos falsos e lavagem de dinheiro, realizados de forma estruturada e permanente pela facção. “A prisão do braço direito do líder e a apreensão de bens têm como foco atacar o poder financeiro do grupo criminoso, bloqueando valores e evitando dilapidação”, explicou.
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Operação Imperium
A Operação Imperium, deflagrada na manhã desta terça-feira, cumpre 61 ordens judiciais para desarticular o núcleo financeiro da facção. Entre os mandados estão 12 prisões preventivas, 14 buscas domiciliares, sequestro de quatro imóveis avaliados em R$ 4 milhões, apreensão de 10 veículos de luxo e bloqueio de contas de 21 investigados, totalizando R$ 43 milhões. As ações ocorrem em Rondonópolis, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A investigação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá, identificou que o patrimônio ilícito da facção foi construído e movimentado durante dois anos, sob a liderança de Gilmar Reis da Silva.
Gilmar, líder da facção no sul de Mato Grosso, havia fugido do Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, no dia 14 de julho de 2023. Após a fuga, ele e outras pessoas ligadas a ele utilizaram documentos falsos para abrir contas bancárias e empresas de fachada, com o objetivo de movimentar dinheiro do crime, adquirir bens e demonstrar riqueza.
As apurações indicam que empresas registradas em Rondonópolis, muitas vezes com nomes falsos, recebiam valores de integrantes da facção e reintroduziam o dinheiro em circulação, comprando veículos, imóveis e repassando lucros aos membros. Integrantes financeiros e operadores patrimoniais da facção foram identificados também em Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro.

Segundo o delegado Marlon Luz, as medidas da operação buscam não apenas enfraquecer o grupo, mas também assegurar que os bens ilícitos possam ser revertidos aos cofres do Estado após os trâmites legais.



