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O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube aprovou, na noite desta sexta-feira (16/1), o impeachment do presidente Julio Casares, em uma das mais graves crises institucionais da história recente do clube. Ao todo, 188 conselheiros votaram a favor da destituição, número superior ao mínimo de 170 votos exigidos para a aprovação do afastamento.
A reunião ocorreu no estádio Morumbis, de forma híbrida, presencial e on-line, por determinação da 3ª Vara Cível do Butantã. Dos 254 conselheiros aptos, 223 participaram da votação, sendo 168 presencialmente e 55 de forma remota.
Do lado de fora do estádio, milhares de torcedores se concentraram para protestar contra a permanência de Casares, pressionando pela saída do dirigente em meio às denúncias que abalaram a cúpula são-paulina.
O que muda após o impeachment
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Com a decisão do Conselho Deliberativo, Julio Casares fica afastado temporariamente da presidência. O presidente do Conselho, Olten Ayres, deverá convocar uma Assembleia Geral dos sócios em até 30 dias, que terá a palavra final sobre o afastamento definitivo.
Enquanto isso, o comando do clube passa para o vice-presidente Harry Massis Jr. Caso o impeachment seja confirmado pela assembleia, Massis assumirá definitivamente o cargo até o fim de 2026, quando ocorrerá nova eleição presidencial no clube.
O pedido de afastamento cautelar foi protocolado por conselheiros da oposição em 15 de dezembro de 2025. Além das acusações relacionadas aos camarotes do estádio, Casares também é alvo de críticas por gestão temerária, com sucessivos descumprimentos do orçamento e venda de jogadores abaixo do valor de mercado, segundo os denunciantes.
Até a publicação desta reportagem, o São Paulo Futebol Clube e Julio Casares não haviam se manifestado oficialmente. O espaço segue aberto.
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Entenda o caso que levou ao afastamento
Julio Casares é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema clandestino de exploração de um camarote do Morumbis, durante o show da cantora Shakira, realizado em fevereiro de 2025. O caso é apurado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investiga possíveis crimes de corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.
Segundo as investigações, o camarote ligado à presidência do clube teria sido repassado à Mara Casares, diretora cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente. Ela teria contratado uma intermediária para vender ingressos do espaço, com valores que chegaram a R$ 2,1 mil por ticket, prática considerada irregular.

O escândalo veio à tona após a intermediária ingressar na Justiça, alegando ter sofrido um calote. Áudios divulgados pela imprensa revelaram pressões para retirada da ação judicial, com menções explícitas à ilegalidade do esquema. O material também cita o envolvimento de Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do clube.
Após a repercussão, em dezembro de 2025, Mara Casares e Douglas Schwartzmann pediram afastamento de seus cargos.
Quem assume o comando do São Paulo

O vice-presidente Harry Massis Jr., de 80 anos, assume interinamente o comando do clube. Empresário e integrante do grupo político Vanguarda, Massis rompeu com Casares após os recentes escândalos.
Conselheiro vitalício do São Paulo, Massis Jr. é sócio do clube desde 1964 e ocupa a vice-presidência desde 2021. Ele integrou delegações históricas do Tricolor, como nos títulos da Copa Intercontinental de 1991 e 1992, quando atuava como diretor-adjunto administrativo.



