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A Polícia Militar do Rio de Janeiro prendeu, na terça-feira (13), Anne Cristina Casaes, conhecida como a “Dama do Crime”, em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Considerada uma das principais articuladoras de uma facção criminosa com atuação em Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ela estava foragida havia meses. Um vídeo divulgado pelas autoridades registra o momento da prisão.
A captura ocorreu após a descoberta de uma fraude no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que indicava, de forma irregular, que Anne cumpria pena em regime fechado. Na prática, ela estava em liberdade, o que permitiu que permanecesse fora do radar das forças de segurança por um longo período.
De acordo com a Agência Central de Inteligência de Minas Gerais, a falha no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões só foi possível por meio do uso irregular de credenciais funcionais vinculadas a um servidor do sistema prisional mineiro. O governo estadual não detalhou como esses acessos foram obtidos nem se houve participação direta do servidor no esquema.
Após a identificação da irregularidade, o Tribunal de Justiça foi comunicado, corrigiu a situação processual e expediu um novo mandado de prisão. A localização e captura de Anne em Búzios foram viabilizadas por uma operação integrada que envolveu a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, a Polícia Civil mineira, o Gabinete de Segurança Institucional do TJMG, a Subsecretaria de Inteligência do Rio de Janeiro e a PMERJ.
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Anne Cristina era um dos principais alvos da Operação Reversus, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso em julho de 2025. Na ocasião, ela chegou a ser presa em uma cobertura no bairro Buritis, em Belo Horizonte, durante uma ofensiva contra lavagem de dinheiro, organização criminosa e suspeitas de fraudes bancárias associadas ao Comando Vermelho. Horas depois, no entanto, acabou solta sob o argumento de que era mãe de uma criança de dois anos, que estaria acamada após uma cirurgia.
As investigações indicam que a “Dama do Crime” exercia função estratégica dentro da facção, atuando como elo de comunicação entre integrantes do grupo em diferentes estados. Ela também é investigada por coordenar um esquema de lavagem de dinheiro com forte ligação com Mato Grosso.
Segundo a polícia, recursos obtidos com atividades criminosas saíam do estado, transitavam por contas bancárias no Rio de Janeiro e retornavam ao território mato-grossense com aparência de legalidade, por meio de negociações envolvendo veículos e gado.

As autoridades afirmam ainda que Anne intensificou sua atuação no crime organizado após o assassinato do marido, Anders Araújo de Cerqueira, conhecido como Júnior Gago. Ele foi morto na Bolívia e era apontado como um dos antigos líderes do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Em nota, a defesa de Anne Cristina sustentou que a prisão se baseia em fatos antigos e alegou que ela já teria cumprido mais da metade da pena. Os advogados também argumentam que a condição de mãe de uma criança pequena deveria ser considerada pela Justiça.



