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Médico que diz ter disparado “sem querer” contra namorada de 15 anos vai a júri popular e continua preso

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O médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello seguirá preso e será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo assassinato da adolescente Kethlyn Vitória da Silva, de 15 anos. A decisão foi mantida pelo desembargador Lídio Modesto da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que rejeitou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. A determinação foi publicada nesta semana.

Bruno está preso preventivamente desde maio de 2025, quando a adolescente morreu após ser atingida por um disparo de arma de fogo em Guarantã do Norte/MT.

No pedido de liberdade, a defesa sustentou que havia excesso de prazo na prisão cautelar, destacou que o médico possui residência fixa e profissão definida e argumentou que ele estaria custodiado em uma unidade prisional com superlotação superior a 150% da capacidade.

Ao analisar o caso, o desembargador entendeu que a defesa não apresentou documentos considerados essenciais para comprovar eventual constrangimento ilegal. Segundo o magistrado, não foram anexadas peças fundamentais, como a decisão que manteve a prisão preventiva e elementos que demonstrassem prejuízo concreto decorrente das condições do sistema prisional.

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Na decisão, Lídio Modesto destacou que alegações genéricas sobre superlotação carcerária não são suficientes para justificar a concessão de liberdade provisória ou a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas.

Com a rejeição do habeas corpus, fica mantida a decisão que pronunciou o médico ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. Embora a defesa sustente que o disparo tenha ocorrido de forma acidental, o TJMT reformou entendimento anterior e determinou que o caso seja analisado pelos jurados populares.

Durante depoimento à Polícia Civil, Bruno afirmou que estava com Kethlyn dentro de um veículo após consumirem bebidas alcoólicas. Segundo sua versão, a adolescente teria pedido para dirigir e, ao sentar-se em seu colo, ele manuseou uma arma acreditando que estivesse desmuniciada.

Ainda conforme o relato, o disparo ocorreu acidentalmente durante esse momento.

O médico declarou que levou a jovem imediatamente ao hospital, onde equipes tentaram reanimá-la por cerca de 40 minutos, sem sucesso. Após a confirmação da morte, ele teria entrado em estado de choque, danificado parte da estrutura da unidade de saúde e deixado o local.

Dias depois, Bruno se apresentou espontaneamente na Base Aérea do Cachimbo, no Pará, após a Justiça decretar sua prisão preventiva. Posteriormente, foi conduzido para Mato Grosso, onde prestou novo depoimento aos investigadores.

As investigações também revelaram que o médico já havia sido alvo de uma medida protetiva de urgência solicitada por uma ex-companheira em 2022. Os detalhes do caso não foram divulgados oficialmente.

Além da acusação de homicídio doloso, a Polícia Civil apura as circunstâncias do relacionamento entre Bruno e Kethlyn. De acordo com o delegado responsável pelo caso, existe a possibilidade de enquadramento por estupro de vulnerável caso seja comprovado que o relacionamento teve início quando a adolescente ainda tinha 14 anos.

Kethlyn completou 15 anos poucos dias antes de morrer, em 31 de março de 2025.

Agora, caberá ao Tribunal do Júri decidir se o médico agiu de forma intencional ou se a versão de disparo acidental apresentada pela defesa possui respaldo nas provas reunidas durante a investigação.

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