
Repórter MT
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou hoje (20) uma sindicância para apurar a conduta ética do médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, de 29 anos, réu pelo feminicídio da namorada, Kethlyn Vitoria de Souza, de 15 anos.
O procedimento foi aberto para investigar possíveis irregularidades no exercício da profissão e verificar se houve infração ao Código de Ética Médica. Por determinação do Código de Processo Ético-Profissional, o caso tramita sob estrito sigilo.
A abertura do procedimento administrativo é o primeiro passo para a aplicação de punições corporativas ao profissional. Caso a sindicância aponte indícios de desvios graves cometidos pelo médico, que foi indiciado pela Polícia Civil por sete crimes, incluindo manusear arma de fogo sob o efeito de álcool e fornecer bebida a menor, o conselho de classe converterá a investigação em um Processo Ético-Profissional (PEP).
Ao final do julgamento interno, Bruno Felisberto poderá sofrer sanções administrativas que variam desde uma advertência confidencial até a penalidade máxima de cassação definitiva do registro profissional, ficando impedido de exercer a medicina em todo o território nacional.
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Na esfera penal, o médico responde pela morte da adolescente ocorrida em maio do ano passado, em Guarantã do Norte. A denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso foi aceita pelo Poder Judiciário, e a ação penal que apura o crime contra a vida está em fase final de audiências de instrução na Vara Única do município.
Após a oitiva das testemunhas e o interrogatório do réu, a Justiça decidirá se o profissional será pronunciado e levado a Júri Popular pelo crime de feminicídio com dolo eventual, cuja pena máxima somada aos demais delitos pode ultrapassar 60 anos de reclusão.
O crime
O médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, de 29 anos, confessou à polícia que assassinou a namorada. A adolescente de 15 anos foi morta com um tiro na cabeça. Bruno, que chegou a ficar foragido, alegava que a jovem teria atirado contra ela mesma.
Em depoimento, Bruno disse que estava no carro com a vítima, voltando para casa após terem saído para se divertir. Em certo momento, a adolescente teria pedido para dirigir e foi para o colo dele. Neste momento, o homem pegou a arma, dizendo acreditar estar desmuniciada, quando houve o disparo.

O médico disse que prestou socorro imediato à vítima e a levou ao hospital. No local, conforme consta em boletim de ocorrência, ele chegou a acompanhar todo o procedimento de tentativa de salvar a vida da adolescente, sem êxito.
Por fim, o delegado indagou Bruno sobre a arma. O médico resistiu em informar em um primeiro momento, mas indicou e acompanhou os policiais até o local onde a descartou embaixo de uma ponte ainda na cidade de Guarantã do Norte, sentido o Estado do Pará.



