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Mato Grosso registrou quatro assassinatos de mulheres em um intervalo de apenas oito dias, elevando para 18 o número de feminicídios contabilizados no estado em 2026. Os dados são do Observatório Caliandra, plataforma do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), atualizados até o último dia 14 de maio.
No dia 6 de maio, o estado contabilizava 14 vítimas. Com os novos casos, autoridades e entidades de proteção voltam a alertar para o avanço da violência contra a mulher e a necessidade de fortalecimento das medidas preventivas e da rede de apoio às vítimas.
Os crimes foram registrados em municípios de diferentes regiões de Mato Grosso, entre eles Cuiabá, Tangará da Serra, Várzea Grande, Vila Bela da Santíssima Trindade, Tapurah, Sinop, São José do Xingu, Rondonópolis, Porto dos Gaúchos, Nova Maringá, Lucas do Rio Verde, Itaúba, Chapada dos Guimarães e Brasnorte.
Segundo o levantamento, a maioria dos assassinatos foi cometida com uso de faca ou outro objeto perfurocortante, totalizando nove casos. As investigações apontam que grande parte dos crimes ocorreu em contextos de violência doméstica, motivados por menosprezo à condição feminina, discriminação de gênero e inconformismo com o término de relacionamentos.
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O perfil das vítimas também chama atenção. Conforme os dados do Observatório Caliandra, a maior parte das mulheres assassinadas tinha entre 18 e 24 anos, faixa etária considerada de maior vulnerabilidade em casos de violência doméstica e afetiva.
Outro dado preocupante envolve o local onde os crimes ocorreram. Sete mulheres foram mortas dentro da residência onde moravam com o companheiro. Outras sete foram assassinadas em suas próprias casas. Três casos ocorreram em via pública e um não teve o local divulgado.
O levantamento revela ainda que 13 das 18 vítimas não possuíam boletins de ocorrência registrados contra os autores das agressões. Apenas cinco mulheres haviam denunciado episódios anteriores de violência.
Na maioria dos casos, os suspeitos eram pessoas próximas das vítimas. Nove mulheres foram mortas pelos companheiros, duas pelos ex-maridos, duas por familiares, uma pelo namorado, uma após um relacionamento casual e três por pessoas sem vínculo afetivo identificado.
Especialistas apontam que a subnotificação e o silêncio ainda representam obstáculos no enfrentamento à violência contra a mulher. A ausência de denúncias anteriores, segundo órgãos de proteção, dificulta intervenções preventivas e amplia o risco de desfechos fatais.

O feminicídio é considerado crime hediondo no Brasil e está previsto na Lei nº 13.104/2015, que qualificou o homicídio praticado contra mulheres em razão da condição de sexo feminino.
Casos de violência doméstica podem ser denunciados pelos canais oficiais de segurança pública, pelo telefone 190, ou pelo Disque 180, central nacional de atendimento à mulher.



