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‘Eu vivo prisão perpétua’, diz viúvo e pai das vítimas de ‘serial killer’ após decisão judicial

Gazeta Digital

Regivaldo Batista Cardoso, marido de Cleci Calvi Cardoso e pai de Miliane Calvi Cardoso, Manuela Calvi Cardoso e Melissa Calvi Cardoso, assassinadas brutalmente em Sorriso, falou com exclusividade ao site, após a decisão da 4.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que reduziu a pena de Gilberto Rodrigues dos Anjos de 225 anos para 219 anos e 6 meses de prisão. Para ele, a dor da perda é “prisão perpétua”.

A redução ocorreu após o reconhecimento da atenuante de confissão espontânea do criminoso, que admitiu os assassinatos durante interrogatório policial.

Indignado, Regivaldo afirmou que a decisão representa um recado perigoso para outros criminosos.

“Mostra para outras pessoas que cometem esse tipo de crime que é só confessar que ganha uma pena mais leve. Isso dá espaço para os caras fazerem mais e mais. A pena tinha que ser aumentada para inibir esse tipo de crime”, disparou.

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Durante a entrevista, ele também criticou o sistema penal brasileiro e disse que se sente condenado “à prisão perpétua” pela perda irreparável da família.

“Eu estou condenado a uma prisão perpétua porque vou passar o resto da minha vida sem poder ver minhas filhas, sem minha esposa. Já ele, daqui a 40 anos, pode sair da cadeia”, lamentou.

Regivaldo ainda afirmou que ficou “totalmente desapontado” com a Justiça.

“Isso daí é mais uma vergonha. Nossa lei é muito fraca e muito benéfica para bandido”, declarou.

Apesar da revolta, ele explicou que a família não pretende recorrer da decisão, já que a redução da pena não altera o tempo máximo de prisão permitido pela legislação brasileira, limitado a 40 anos em regime fechado.

“É doloroso mexer nisso tudo de novo. Se impactasse no tempo que ele vai ficar preso, com certeza a gente iria pra cima. Mas não vai mudar”, disse.

O viúvo também defendeu penas mais severas para crimes dessa natureza e cobrou mudanças na legislação brasileira.

“Já passou da hora de existir prisão perpétua no Brasil para quem pratica crime contra mulheres e crianças. Um cara desse não se ressocializa nunca”, afirmou.

Em outro trecho, Regivaldo criticou as condições do sistema prisional e disse acreditar que criminosos acabam recebendo mais proteção do Estado do que as próprias vítimas.

“O Estado dá mais proteção pra eles do que pra quem está aqui fora trabalhando e pagando imposto. Hoje está fácil ser bandido no Brasil”, declarou.

As vítimas foram assassinadas entre os dias 24 e 25 de novembro de 2023. Gilberto, que trabalhava em uma obra ao lado da residência da família, confessou os crimes e também os estupros das vítimas.

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