
Cenário MT
A recente decisão da Justiça Federal de bloquear R$ 11,3 milhões em bens de investigados por mineração clandestina em Mato Grosso lançou luz sobre uma estrutura logística profissional operando no coração da Amazônia Legal. Mais do que uma simples invasão, o esquema na Terra Indígena (TI) Sete de Setembro funcionava sob um modelo de “franquia ilegal”.
A Logística do “Pedágio”
As investigações da Operação Olhos Fechados revelaram que o acesso ao território não era aleatório. Lideranças locais, aproveitando-se de suas posições de gestão, estabeleceram uma regra rígida: garimpeiros externos só podiam operar se entregassem 20% de toda a produção de ouro e diamante ao grupo que controlava as entradas.
Essa organização permitiu que a atividade fosse prolongada e resistente a fiscalizações rotineiras. No local, a Polícia Federal e o MPF identificaram:
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Acampamentos Estruturados: Bases montadas no interior da floresta para suporte logístico de longa duração.
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Maquinário de Grande Porte: Motores potentes capazes de acelerar a extração mineral e aumentar a degradação do solo.
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Divisão de Frentes: Áreas específicas e separadas para a busca por diamantes e outra exclusiva para o ouro.
O Custo da Recuperação Ambiental
O valor de R$ 11,3 milhões bloqueado pela Justiça não é aleatório. Ele representa o cálculo técnico do dano mínimo causado em 27,29 hectares de vegetação nativa desmatada desde 2022.
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Especialistas apontam que a mineração ilegal nessas áreas gera um efeito cascata: a remoção da camada superficial do solo e o uso de substâncias para separação de minérios comprometem a regeneração da fauna e flora locais por décadas. O bloqueio visa garantir que, ao final do processo, existam recursos para tentar reverter esse cenário de terra arrasada.
Vigilância e Resistência
O nome da operação, “Olhos Fechados”, reflete o silêncio comprado por meio do lucro fácil. Durante as incursões das equipes do Ibama e da Funai, foi verificada uma resistência ativa para dificultar o trabalho policial, o que demonstra o nível de infiltração do garimpo nas estruturas das aldeias que deveriam proteger o território.



