
Repórter MT

O empresário Pedro Henrique Cardoso, representante da empresa Imaculada Agronegócios e um dos alvos da Polícia Civil na Operação Agro-Fantasma, deflagrada nessa quarta-feira (4) para apurar um esquema milionário, possui um histórico de dívidas e violência que lhe renderam uma série de processos entre os anos de 2019 e 2025. Dentre as acusações, estão violência doméstica, violência psicológica contra mulher, agressão a um vizinho, além de mais de R$1 milhão em dívidas.
Em julho de 2019, a noiva de Pedro pediu medidas protetivas em desfavor dele em razão de ameaças e lesão corporal. Na denúncia consta que a vítima foi agredida verbalmente e também com tapas e socos. Durante as agressões, ele teria ligado para uma terceira pessoa dizendo que iria matar a noiva quando tivesse oportunidade.
Em janeiro de 2020, a vítima pediu retratação, dizendo que poucos dias após a denúncia voltaram a se relacionar e que estavam tranquilos e felizes. Sendo assim, as medidas protetivas foram suspensas e não houve continuidade em qualquer procedimento ou processo.
Em abril de 2020, Pedro Henrique foi intimado por uma dívida feita em Porto Velho (RO). Um credor informou que havia emitido uma nota promissória em dezembro de 2018 no valor de R$ 23.540,00, com data de vencimento em 30 de janeiro de 2019, mas até aquele momento não havia sido paga. A dívida já havia ultrapassado os R$ 27 mil, mas, naquela época, a Justiça de Mato Grosso não havia encontrado o devedor para intimá-lo.
Em novembro de 2020, Pedro Henrique foi acusado de agressão contra um vizinho do prédio onde morava, em Cuiabá. O vizinho relatou que o empresário estava ouvindo música muito alta e que tentou ligar na portaria e no apartamento dele para reclamar do som, mas não conseguiu. Com isso, foi até o apartamento de Pedro, bateu na porta, mas ele não atendeu. Ao perceber que a porta estava apenas encostada, o vizinho a empurrou e foi recebido a socos por Pedro Henrique.
O empresário foi até a portaria do prédio dizendo que o vizinho havia invadido o apartamento dele e, na frente de outros moradores e do porteiro, voltou a agredir a vítima. De acordo com a denúncia, Pedro Henrique estava aparentemente bêbado e dizia que era filho de procurador.
Em abril de 2023, o empresário foi novamente denunciado por agressão, dessa vez contra uma mulher com quem era sócio em um restaurante. No boletim de ocorrência, a vítima relatou que Pedro Henrique cometeu violência psicológica e injúria contra ela. Ele teria a chamado de mentirosa, louca e estelionatária.
De acordo com a mulher, no período em que mantiveram sociedade, eles não conseguiam conversar sobre assuntos da empresa porque Pedro Henrique sempre a ofendia, gritava e xingava. O desentendimento, segundo ela, durou 30 dias, período em que a vítima passou por momentos difíceis. Pedro teria dito que iria fazer da vida dela um inferno e que deixaria o restaurante falir, causando danos psicológicos à mulher.
A vítima acabou vendendo a parte dela e alegou que os problemas aumentaram, porque Pedro Henrique acumulou dívidas de água e energia no nome do esposo dela, que passou a sofrer humilhações de credores.
Além disso, ele teria ameaçado a mulher dizendo que, se o caso virasse processo, ele iria procurar outros meios.
Em sua defesa, o empresário disse que apenas chamou a mulher de louca e que os demais fatos foram inventados
Pedro Henrique também foi processado por uma dívida com a cooperativa Sicredi, que alegou ter concedido um empréstimo de R$ 133.906,00 ao empresário, que não efetuou o pagamento. Pedro Henrique teria deixado uma Mercedes 2015 como garantia, e a instituição financeira pediu a busca e apreensão do veículo.
O Banco C6 também chegou a processar o empresário por um crédito de R$ 49.940,68. Pedro Henrique não teria pago uma das parcelas e a dívida alcançou R$ 51.921,62. Posteriormente, um acordo foi feito e o banco desistiu da ação.
Ele também foi processado pela Localiza, que alugou um Honda HR-V para o empresário. Pedro Henrique teria sumido com o carro, retirado o rastreador do veículo e chegou a ser acusado de furto qualificado. Posteriormente, o carro foi encontrado, mas ele ficou devendo mais de R$ 40 mil.
Entre as dívidas, há ainda um débito de R$ 316 mil com uma médica, feito em julho de 2024 por meio de um empréstimo pessoal. Ambos firmaram um acordo e ele se comprometeu a pagar o valor.
Ele também deve a outra mulher por treze notas promissórias de 2017 e 2018, que somavam R$ 6.500 na época. Pedro Henrique já foi condenado a pagar, mas a dívida já está em R$ 39.051,58, valor atualizado até fevereiro de 2026, e ainda não foi quitada.
A agência Desenvolve MT também executa uma dívida de mais de R$240 mil contra Pedro e uma empresa dele, a Loggo Projetos e Negócios Ltda, e o Banco do Brasil também cobra uma dívida de mais de R$501 do empresário e outra empresa dele, a Aquila Solução e Comércio Ltda. , por um financiamento.
Operação Agro-Fantasma
A Operação Agro-Fantasma, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, investiga um suposto esquema de estelionato que teria causado prejuízo de R$ 70 milhões a produtores rurais.
Segundo a Delegacia de Comodoro, o grupo, que inclui os empresários Mário Sérgio Cometki Assis, Pedro Henrique Cardoso e o ex-deputado de MS Sergio Pereira Assis, utilizava as empresas Imaculada Agronegócio e Santa Felicidade para comprar grãos a prazo e revendê-los à vista, deixando de pagar os fornecedores após ganhar a confiança do mercado.
Durante as buscas em Cuiabá e Campo Grande, a polícia apreendeu bens de luxo, como uma aeronave avaliada em R$ 5,8 milhões, carros das marcas Porsche e Dodge Ram, além de 6.300 dólares.
Após ser alvo da operação, Pedro Henrique Cardoso usou as redes sociais para negar a existência do golpe e afirmar que ele e sua família vêm sendo alvo de ameaças por parte do produtor rural Silvano dos Santos, que figura no inquérito policial como a principal vítima do suposto esquema.



