
Repórter MT
Os contratos futuros de petróleo passaram a incorporar um prêmio geopolítico adicional após a escalada militar no Oriente Médio, e a avaliação da Texas Capital é de que as cotações podem permanecer tensionadas no curto prazo, com possibilidade de formação de topo temporário.
A corretora projeta que o barril de Brent e WTI oscile entre US$ 70 e US$ 80 ao longo da semana, na esteira dos ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A leitura é que as operações militares iniciais, combinadas com a incerteza sobre a resposta de Teerã, sustentam a reprecificação imediata dos derivativos de energia.
Às 7h45 de Brasília, o barril do Brent, referência internacional e para a Petrobras, disparava 7,68%, a US$ 78,46, enquanto o barril do Texas (WTI), referência nos EUA, saltava 7,42%, a US$ 71,97.
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Em relatório assinado por Derrick Whitfield, os analistas apontam que o mercado pode testar a região de US$ 80 por barril nos próximos dias, refletindo o risco de interrupções e a recomposição de posições compradas em futuros e opções.
Os primeiros movimentos já sinalizam esse ajuste.
O WTI é negociado acima de US$ 72 por barril, cerca de 7% acima do fechamento anterior. Segundo a Texas Capital, aproximadamente US$ 6 por barril já estariam embutidos como prêmio de risco geopolítico, patamar considerado coerente com o estágio atual do conflito.
Ainda assim, a instituição atribui baixa probabilidade a um bloqueio prolongado do Estreito de Hormuz por parte do Irã. O corredor marítimo responde por mais de 20% do comércio global de petróleo transportado por mar e por cerca de um quinto dos fluxos mundiais de GNL.
Historicamente, Teerã evitou fechar a rota devido ao impacto direto sobre suas próprias exportações.
O foco central permanece na oferta. O Irã ocupa a quarta posição entre os produtores da Opep, com produção próxima de 3,3 milhões de barris por dia e exportações ao redor de 2 milhões de barris diários, majoritariamente direcionadas à China. A Texas Capital observa que Pequim ampliou estoques estratégicos ao longo do último ano e poderia recorrer a cargas já embarcadas em caso de disrupções adicionais.
Caso as exportações iranianas sofram impacto duradouro, o balanço global de 2026 poderia se alterar de forma relevante. A projeção de excedente de 2,7 milhões de barris por dia no próximo ano poderia migrar para um mercado próximo do equilíbrio no segundo semestre, reduzindo a folga estimada para a oferta.
No campo político, a Opep+ anunciou aumento de produção de 206 mil barris por dia. A Texas Capital classifica a decisão como de efeito limitado, dado que o grupo dispõe de capacidade ociosa efetiva estimada em 3,3 milhões de barris diários, volume que poderia ser ativado em até 90 dias caso necessário.
Em relação ao cenário militar, os analistas avaliam que as capacidades do Irã teriam sido deterioradas após os ataques recentes. Eventuais retaliações contra infraestrutura energética no Golfo tenderiam a ampliar o isolamento diplomático do país e elevar a pressão por negociações.
A expectativa é de que o prêmio geopolítico permaneça incorporado às curvas futuras ao menos até que haja definição sobre a sucessão da liderança suprema iraniana e maior clareza quanto a eventuais tratativas diplomáticas
A corretora também antecipa volatilidade intradiária na ordem de US$ 5 por barril, influenciada por manchetes e atualizações operacionais. Em ambiente de risco elevado mais persistente, a preferência recai sobre companhias com maior exposição direcional ao petróleo, como Chord Energy, California Resources Corporation, Riley Exploration Permian, Talos Energy e TXO Partners. Historicamente, empresas com maior alavancagem operacional capturam de forma mais intensa movimentos abruptos de alta na commodity.

Em um cenário extremo envolvendo interrupção relevante do tráfego pelo Estreito de Hormuz, a modelagem da Texas Capital indica potencial deslocamento das cotações em direção a US$ 110 por barril, seguido de correção à medida que respostas adicionais de oferta sejam implementadas.
A instituição ressalta, por outro lado, que prêmios geopolíticos tendem a se dissipar rapidamente caso os fluxos físicos globais permaneçam amplamente preservados.



