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Facção decretou morte de adolescente em Mato Grosso por suposta traição

Repórter MT

As investigações da Polícia Civil apontam que a morte de uma adolescente de 16 anos foi decretada por integrantes de uma facção criminosa após suposta traição interna. O crime ocorreu no dia 19 de outubro de 2025, em uma residência no bairro Jardim Village, no município de Araputanga, (a 353 km de Cuiabá), em Mato Grosso.

O caso é apurado no âmbito da Operação Proditio, deflagrada na manhã desta sexta-feira (16). O nome da operação tem origem no latim e significa “traição”, fazendo referência direta à motivação do crime investigado, que envolve disputas internas e traição passional dentro da facção criminosa.

 

De acordo com a Polícia Civil, a decisão de executar a adolescente teria sido tomada após ela ser acusada de envolvimento no desaparecimento de um integrante da própria facção, ocorrido dias antes. A suspeita levantada pelos criminosos é de que ela teria descumprido regras internas e se envolvido em uma suposta traição passional, o que, dentro da lógica da organização, resultou na decretação da morte como forma de punição e de intimidação aos demais membros.

 

As investigações indicam ainda que o crime foi coordenado por lideranças locais da facção, que determinaram a execução como forma de punição e exemplo. Também foi identificada a existência de uma hierarquia bem definida, com os investigados atuando de maneira organizada e exercendo funções estratégicas de comando, disciplina e execução de atos violentos.

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Segundo o delegado de Araputanga, Cleber Emanuel Neves, a deflagração da operação representa um impacto significativo na estrutura criminosa do município, ao desarticular a atuação coordenada de integrantes que ocupavam posições de liderança e promoviam os chamados “salves”.

As investigações seguem em andamento para aprofundar a análise dos elementos reunidos e preservar a eficácia das diligências policiais.

O crime

De acordo com as investigações, no dia 19 de outubro de 2025 a adolescente foi atraída para uma casa no bairro Jardim Village e submetida a um “salve”, um tribunal do crime da facção criminosa, que decretou a morte dela. Durante horas, a jovem sofreu torturas sistemáticas, incluindo estupro, agressões físicas com socos e chutes, afogamento em caixa-d’água, choques elétricos aplicados com ventilador adaptado. Posteriormente, ela foi estrangulada com um lençol.

O corpo da vítima foi encontrado dois dias depois, em 21 de outubro de 2025, nas margens do Rio Bugres.

Ainda conforme a Polícia Civil, o laudo necroscópico confirmou que a morte da adolescente ocorreu por asfixia mecânica decorrente de estrangulamento, além de identificar lesões compatíveis com violência sexual e tortura. A perícia constatou ainda sinais de defesa e múltiplos hematomas pelo corpo.

Além disso, o crime foi registrado em vídeo, gravado durante videochamadas com outros membros da facção, demonstrando a frieza e a organização do grupo criminoso.

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