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Uma empresa apontada pela Polícia Federal como peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a fraudes no INSS transferiu ao menos R$ 700 mil ao escritório da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman, além de R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro.
As informações constam em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
De acordo com o documento, os repasses partiram da ACX e TC Serviços de Tecnologia, empresa utilizada pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central nas investigações da Polícia Federal.
No caso da ministra Verônica Sterman, o pagamento foi realizado em parcela única, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período anterior à sua posse no STM, cargo para o qual foi nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há, contudo, registros públicos de atuação jurídica da ministra em favor da empresa.
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O dinheiro saiu de uma conta da ACX no Banco do Brasil, em São Caetano do Sul (SP). Segundo o COAF, apenas essa conta movimentou mais de R$ 266 milhões em um intervalo de quatro meses, volume considerado atípico pelos investigadores.
Defesa e apoios políticos
Em nota ao portal Metrópoles, Verônica Sterman afirmou que o valor recebido corresponde à elaboração de três pareceres jurídicos de natureza criminal. A ministra também declarou não ter conhecimento de qualquer vínculo entre a ACX e Antônio Antunes, o “Careca do INSS”.
A trajetória profissional de Sterman inclui a defesa de nomes de peso da política nacional, como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o ex-ministro Paulo Bernardo e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Todos apoiaram sua indicação ao STM. Em 2024, Gleisi e Alckmin também defenderam seu nome para uma vaga no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).
Sócios de baixa renda e capital milionário
O relatório do COAF também chama atenção para a composição societária da ACX. Em 2018, no início das atividades da empresa, ela estava registrada em nome de sócios que recebiam benefícios de programas sociais.
Um dos casos citados é o de Erika Nogueira Marques da Costa, que declarou ser proprietária de 50% do capital social da empresa — participação avaliada em cerca de R$ 50 milhões. No mesmo período, ela constava como beneficiária do Bolsa Família.
Repasses a ex-ministro do STJ
Além da ministra do STM, o relatório aponta que a ACX transferiu R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, após sua aposentadoria da Corte. Assim como no caso de Sterman, não há registros de atuação judicial de Cordeiro em favor da empresa.
Procurado, o ex-ministro afirmou que o valor recebido corresponde a serviços advocatícios prestados, sem detalhar a natureza das atividades.

Segundo a investigação, a ACX integrava o RCX Group, que foi alvo da CPI das Pirâmides Financeiras da Câmara dos Deputados. Até o momento, representantes do grupo RCX não se manifestaram sobre as acusações.
As apurações seguem em andamento, e os dados do COAF ampliam o cerco sobre a rede financeira que sustenta o esquema investigado pela Polícia Federal.



