
Repórter MT
O Centro Acadêmico de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) denunciou a circulação de mensagens em que estudantes discutiam a criação de uma lista classificando alunas como “estupráveis” e faziam referências à intenção de violência contra colegas. A universidade informou que instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar os fatos e identificar os envolvidos.
O caso veio à tona nessa terça-feira (5), após o Centro Acadêmico emitir uma nota de repúdio.
Segundo o diretório estudantil, as conversas ocorreram em aplicativos de mensagens e envolveram alunos do curso de Direito e de outras graduações. O grupo classificou o conteúdo como extremamente grave e afirmou que não se trata de “brincadeira”, mas de banalização da violência sexual e objetificação de mulheres.
“Tais manifestações não podem ser tratadas como ‘brincadeira’, tampouco relativizadas. Ao contrário, configuram a banalização da violência sexual e a objetificação de mulheres, reforçando uma cultura que historicamente legitima práticas de violência de gênero”, diz trecho da nota.
Receba as informações do ATUALMT através do WhatsApp:
Clique aqui para receber as notícias no seu WhatsApp.
Em nota oficial, a UFMT informou que já adotou as providências cabíveis e reforçou que “repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos”.
A universidade destacou ainda que a Faculdade de Direito instaurou procedimento administrativo disciplinar, que seguirá conforme a legislação vigente e as normas institucionais.
O Centro Acadêmico também afirmou que irá acompanhar a apuração do caso junto às autoridades competentes e cobrou medidas para garantir a segurança das estudantes.
Além disso, a entidade apontou que o episódio ocorre em meio a relatos recentes de assédio dentro da universidade, defendendo que situações desse tipo sejam tratadas com rigor para evitar a repetição de condutas semelhantes. A nota também relembra o caso de Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos, que foi encontrada na área da Associação Atlética Master, nos fundos do campus.
“Também é necessário situar os fatos no contexto mais amplo e preocupante que a universidade vem enfrentando recentemente, com diversos relatos de assédio. Soma-se a isso o fato de que, no ano passado, uma mulher, Solange, foi estuprada e assassinada dentro do próprio campus, evidenciando a gravidade concreta da violência de gênero em nosso espaço universitário.”
Leia nota do Centro Acadêmico de Direito
https://www.instagram.com/cadiufmt/?utm_source=ig_embed&ig_rid=c80686b5-b497-4e3c-9f15-289ea9a21761
Leia nota da UFMT na íntegra
NOTA OFICIAL
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica.
A Instituição reafirma seu compromisso inegociável com a promoção de um ambiente seguro, ético, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas, especialmente no enfrentamento à violência de gênero.

Diante dos fatos recentemente divulgados, a Faculdade de Direito informa que já foram adotadas as providências cabíveis, com a instauração de procedimento administrativo disciplinar para a devida apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos, nos termos da legislação vigente e das normas institucionais.
A Universidade permanece à disposição para colaborar com as autoridades competentes e reforça seu compromisso permanente com a construção de uma cultura de respeito, igualdade e justiça.



