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Preso desde 2025, “Dandão” escolheu marido de sobrinha para manter esquema de lavagem de dinheiro de facção em MT

Repórter MT

Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como “Dandão” ou “Dono da Quebrada”, teria escolhido o marido de sua sobrinha, W.A.F., apelidado de “Tubarão”, para atuar como operador financeiro e dar continuidade ao esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma organização criminosa. Apontado como uma das principais lideranças da facção em Mato Grosso, Dandão está preso desde setembro de 2025.

“Tubarão” foi o principal alvo da Operação Arpão, deflagrada pela Polícia Civil na manhã dessa terça-feira (10), que apura um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado ao grupo criminoso.

Segundo as investigações, “Tubarão” utilizava mecanismos especializados para lavar dinheiro, entre eles o uso de familiares e pessoas próximas como “laranjas” para registrar bens e movimentar valores, com o objetivo de dissimular a origem criminosa do patrimônio e ocultar quem era o verdadeiro proprietário.

As apurações indicam que esposas, parentes e pessoas do círculo próximo do grupo apareciam como proprietários formais de veículos e imóveis de luxo. Na prática, porém, os bens continuavam sendo utilizados e controlados pelos investigados, o que dificultava a vinculação direta do patrimônio ao criminoso.

 

A compra de bens de alto valor era outra estratégia utilizada para transformar dinheiro ilícito em patrimônio aparentemente legal, como imóveis e veículos de alto padrão avaliados em mais de R$ 500 mil.

A investigação também apontou que o patrimônio adquirido era incompatível com a renda declarada pelos investigados, reforçando a suspeita de lavagem de capitais. Além disso, foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas, como depósitos em espécie, pagamentos de alto valor em curto período e transações fracionadas.

A ação faz parte de uma ofensiva da Polícia Civil contra o núcleo financeiro da facção ligada a “Dandão”. Paralelamente à Operação Arpão, os investigadores também deflagraram, na mesma manhã, a Operação Retirada, que atingiu outro braço da estrutura financeira da organização criminosa.

Entre os alvos da segunda operação está um sobrinho de “Dandão”, além de outras pessoas ligadas ao grupo. De acordo com as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá, os investigados atuavam em diferentes etapas da movimentação do dinheiro ilícito.

Enquanto o grupo ligado à Operação Retirada era responsável por operacionalizar saques e transferências por meio de contas de “laranjas”, o núcleo investigado na Operação Arpão atuaria na lavagem e ocultação de patrimônio, transformando o dinheiro proveniente de crimes em bens aparentemente legais.

Na Operação Arpão, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares e sequestro de imóveis e veículos de alto padrão. Já na Operação Retirada, a Justiça autorizou quatro mandados de prisão e quatro de busca e apreensão, além de quebras de sigilo e sequestro de veículos.

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