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Lumar Costa da Silva deixou hospital psiquiátrico há menos de 5 meses; juiz determina nova internação imediata
Menos de cinco meses após deixar o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Cuiabá, Lumar Costa da Silva, conhecido nacionalmente pelo crime brutal que chocou o país em 2019, voltou a ser preso. A detenção ocorreu na última sexta-feira (14), depois que ele descumpriu as condições da desinternação e ainda foi denunciado por um novo caso de violência doméstica.
Lumar, condenado a medidas de segurança e considerado inimputável por transtorno mental, havia sido liberado em junho deste ano, mediante monitoramento e cumprimento de regras. No entanto, segundo a Justiça, ele abandonou a casa do curador, seu pai, parou de tomar a medicação obrigatória e passou a apresentar comportamento incompatível com as normas impostas.
Diante do risco, o Ministério Público pediu sua prisão imediata – que foi cumprida no estado de São Paulo, onde ele estava morando com o pai.
Será recambiado para Mato Grosso e isolado no Raio 8 da PCE
Já foi solicitado o recambiamento de Lumar para Mato Grosso. A tendência é que ele seja encaminhado ao Raio 8 da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, setor considerado o mais seguro e restrito da unidade, usado para presos de alta periculosidade ou casos sensíveis.
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A permanência ali será temporária, enquanto aguarda nova vaga no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho.
O juiz da Vara de Execuções Penais, Geraldo Fidelis, já confirmou que deve determinar nova internação direta, reforçando que o caso de Lumar “é o mais emblemático do Estado quando se trata de saúde mental associada a crime violento”.
O crime que chocou Mato Grosso
Lumar foi preso em 3 de julho de 2019, horas depois de assassinar a tia Maria Zélia da Silva, 55 anos, em Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá).
O crime teve requintes de extrema violência: ele matou a tia a facadas, arrancou o coração da vítima e entregou o órgão à prima — filha de Maria Zélia.
A brutalidade chamou atenção nacional e levou o Ministério Público a pedir exame de sanidade mental.
Laudo apontou transtorno bipolar e inimputabilidade
Em 2021, o laudo psiquiátrico concluiu que Lumar é portador de transtorno afetivo bipolar tipo 1, e que, no momento do crime, não tinha capacidade de entender o caráter ilícito do que fazia.

Com isso, ele foi considerado inimputável e não foi levado a júri popular. Em vez de condenação criminal, passou a cumprir medida de segurança — inicialmente no presídio e, depois, no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, onde ficou quase dois anos internado.
A desinternação, em junho de 2024, ocorreu após relatórios multiprofissionais apontarem melhora clínica sob supervisão constante.
Menos de cinco meses depois, porém, a medida foi revogada.
Volta à internação
Com a nova denúncia por violência doméstica, o abandono do tratamento e o rompimento das condições impostas, o juiz determinou que Lumar seja novamente internado, assim que chegar a Cuiabá.
A Justiça reforça que o caso exige monitoramento permanente, devido ao histórico, à gravidade do crime e à instabilidade do quadro psiquiátrico.




