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Mesmo preso, Sandro Louco mantinha influência sobre o CV e acesso à Netflix na PCE

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A Justiça de Mato Grosso determinou o retorno de Sandro da Silva Rabelo, conhecido como “Sandro Louco”, ao isolamento máximo na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Considerado fundador e principal liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso, ele ficará novamente no antigo Raio 8, unidade de segurança máxima do sistema prisional estadual.

A decisão foi tomada pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que acolheu, por maioria dos votos, um pedido do Ministério Público Estadual. O regime poderá durar até dois anos, com possibilidade de renovação enquanto persistirem os riscos à segurança pública e a influência do detento sobre a organização criminosa.

Conforme a decisão judicial, relatórios da inteligência penitenciária e extrações de dados de celulares apreendidos dentro da PCE apontaram que Sandro continuava exercendo influência direta sobre atividades criminosas mesmo após deixar o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), há cerca de um ano.

Entre os elementos citados estão acesso à Netflix dentro da unidade prisional, batismo de novos integrantes do Comando Vermelho, organização de entregas de cestas básicas em comunidades, planejamento de fugas e até negociações envolvendo compra de armas.

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“Diante dessa realidade, o isolamento do agravado se justifica pelo atual risco à segurança pública derivado da sua convivência comum com outros reeducandos, notadamente por se tratar de agente de alta periculosidade”, destacou trecho da decisão.

Os desembargadores também citaram o aumento da circulação de celulares dentro da penitenciária após o retorno de Sandro ao convívio comum com outros presos.

O relator do caso, desembargador Orlando Perri, votou contra o retorno ao regime mais rígido, mas ficou vencido. Já o desembargador Marcos Machado defendeu a medida e afirmou que, se nem a área de segurança máxima foi suficiente para impedir a atuação do preso, o risco seria ainda maior nas alas comuns da unidade.

Além do isolamento, a Justiça proibiu Sandro Louco de receber visitas da esposa, Thaisa Souza de Almeida Silva Rabelo, também pelo prazo de até dois anos.

A decisão ainda menciona que o recrudescimento da violência dentro e fora dos presídios teria relação direta com o retorno de lideranças faccionadas ao convívio ampliado nas unidades prisionais. Segundo os magistrados, episódios de fugas organizadas dificilmente ocorreriam sem conhecimento ou autorização dessas lideranças criminosas.

Condenado a penas que somam mais de 215 anos de prisão, Sandro Louco é apontado pelas autoridades como uma das figuras mais influentes do crime organizado em Mato Grosso.

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