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Uma operação realizada por auditores-fiscais do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT) resgatou oito trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em Cuiabá e Várzea Grande. As fiscalizações ocorreram entre os dias 26 e 29 de maio, com apoio da Polícia Federal, em estabelecimentos dos setores agropecuário e madeireiro.
Além das condições degradantes de trabalho, as equipes identificaram adolescentes atuando em atividades proibidas e consideradas de alto risco, o que agravou a situação encontrada durante as inspeções.
Na primeira ação, realizada em uma propriedade rural de Cuiabá, sete trabalhadores foram encontrados vivendo em alojamentos precários, sem condições adequadas de higiene, conforto e acesso regular a instalações sanitárias. Segundo os auditores, a maior parte exercia as funções sem registro em carteira de trabalho e sem equipamentos de proteção individual (EPIs).
Durante a fiscalização, um adolescente de 17 anos foi flagrado realizando o enchimento e o transporte de sacos de ração com peso superior a 20 quilos, atividade proibida para menores de idade devido ao risco à saúde física.
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Os auditores também identificaram um trabalhador vítima de acidente laboral grave. Sem registro formal, ele perdeu parte de um dos dedos enquanto conduzia uma motocicleta usada para transportar refeições aos demais funcionários que trabalhavam na propriedade rural.
Em outra fiscalização, realizada em uma madeireira de Várzea Grande, um trabalhador foi resgatado em situação análoga à escravidão. Conforme a equipe de inspeção, ele vivia em um alojamento sem banheiro e sem cozinha.
No mesmo local, três adolescentes — dois de 17 anos e um de apenas 14 — atuavam no transporte manual de madeira em ambiente considerado extremamente perigoso, com riscos severos à integridade física e à saúde.
Diante das irregularidades, a Auditoria-Fiscal do Trabalho interditou 11 máquinas, entre serras e plainas, por apresentarem risco grave e iminente aos trabalhadores. Ao todo, 20 funcionários estavam sem registro formal.
Segundo a superintendente regional substituta do Trabalho e Auditora-Fiscal do Trabalho, Flora Camargos, os empregadores foram notificados e adotaram medidas imediatas após as autuações.

“Os estabelecimentos quitaram as verbas rescisórias, afastaram os menores das atividades proibidas, regularizaram o registro na CTPS e cessaram as atividades de todo o maquinário interditado. A retomada da produção com esses equipamentos somente será autorizada após nova inspeção”, afirmou.
Além dos resgates, a operação também realizou fiscalizações preventivas em outras propriedades rurais da região, com orientações técnicas e notificações relacionadas a infrações trabalhistas de menor gravidade.



