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Esposa de criminoso que matou irmã em Cuiabá entra em contradição e admite ter mentido à polícia

Repórter MT

Mariana Mara, de 36 anos, presa acusada de participação na morte de uma adolescente de 17 anos em Cuiabá, apresentou versões contraditórias e admitiu à Polícia Civil que mentiu durante as investigações.

Ela é investigada por envolvimento no assassinato da jovem, que foi torturada, estuprada e teve o corpo jogado em um córrego no bairro Morada da Serra, no último dia 11 de março. O crime foi cometido pelo irmão da vítima, Marcos Pereira Soares, marido de Mariana.

Ela nega participação no homicídio, mas entrou em contradição ao ser confrontada pelos investigadores após a prisão.

De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), uma das contradições envolve o contato com a vítima dias antes do crime. Inicialmente omitida, a informação foi confirmada após acareação com Marcos. A acusada admitiu que conversou com a adolescente e que chegou a ofendê-la.

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Outro ponto divergente diz respeito ao dia do assassinato. Mariana negou ter acompanhado Marcos, mas depois confessou que o seguiu utilizando transporte por aplicativo, conforme já havia sido relatado por ele.

As inconsistências levaram a Polícia Civil a realizar uma acareação entre os dois. Após o procedimento, a investigada pediu para falar reservadamente com a autoridade policial e confirmou que havia omitido informações relevantes.

Durante as diligências, ela também reconheceu como sendo de sua propriedade um macacão encontrado enrolado no pescoço da vítima durante a necropsia.

Segundo a polícia, as novas informações só vieram à tona após a prisão e a apreensão do celular da suspeita, o que indica tentativa de ocultar fatos e possível interferência nas investigações.

Nessa quinta-feira (26), além do mandado de prisão temporária, equipes da DHPP cumpriram ordens de busca e apreensão em dois endereços ligados à investigada. A ação teve como objetivo coletar vestígios do crime.

Diante das contradições e dos elementos reunidos, a Polícia Civil defendeu a manutenção da prisão da suspeita.

O caso segue sob investigação.

O crime

A adolescente desapareceu no dia 10 deste mês e foi encontrada morta na noite da quarta-feira (11), dentro do córrego Vassoura, no bairro Três Barras, em Cuiabá. O corpo apresentava sinais de violência extrema e a Polícia Civil também investiga a suspeita de abuso sexual.

Familiares relataram que Marcos foi até a casa onde a jovem morava com o companheiro, na residência do sogro dela, e iniciou uma confusão com os moradores. Durante a briga, ele teria retirado a irmã do imóvel à força e a colocado em uma motocicleta. Após esse momento, a adolescente não foi mais vista.

Ainda na quarta-feira (11), a mãe dos dois chegou a questionar Marcos sobre o paradeiro da filha. No entanto, o acusado apresentou versões contraditórias. Apesar de estar com o celular da vítima, afirmou que não sabia onde ela estava.

Desconfiada, a mulher acionou outros familiares. Ao perceber que seria confrontado, Marcos fugiu da casa e se escondeu em uma área de matagal nas proximidades do bairro.

Enquanto isso, familiares iniciaram buscas pela jovem na região e, por volta das 21h30, encontraram o corpo dela dentro do córrego Vassoura, nos fundos da casa do suspeito.

Após a localização, a Polícia Militar foi acionada. No local, os policiais encontraram o corpo da adolescente submerso na água, em posição de decúbito ventral (de bruços). A vítima estava com a mão e a perna esquerda amarradas entre as raízes de uma árvore. Além disso, uma pedra de grande porte havia sido colocada sobre as costas do corpo.

A jovem estava parcialmente submersa, enrolada em um lençol, sem roupas e apresentava diversos ferimentos pelo corpo, além de queimaduras.

Prisão

Marcos foi localizado e preso pela Polícia Militar ainda na noite da quarta-feira (11), enquanto caminhava pela Avenida Brasil, no bairro CPA II, em Cuiabá. Após o flagrante, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa solicitou à Justiça a prisão temporária do suspeito. O pedido deve ser analisado durante a audiência de custódia.

Investigações apontam ainda que Marcos estava em liberdade havia apenas dois dias, após obter progressão de regime para o semiaberto.

Histórico penal

Marcos Pereira Soares possui um longo histórico criminal. Em 2023, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri a 19 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de um vizinho ocorrido em 2020, no bairro Três Barras. No mesmo processo, também recebeu pena superior a cinco anos por roubo majorado.

Além dessas condenações, ele possui registros policiais por tráfico de drogas, corrupção de menores, uso ilícito de drogas, direção perigosa, adulteração de sinal identificador de veículo, porte ilegal de arma de fogo, resistência, ameaça, lesão corporal e estupro de vulnerável.

Mesmo cumprindo pena na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, Marcos chegou a descumprir medidas judiciais. Em dezembro do ano passado, durante período em que saía para trabalhar na limpeza urbana de Cuiabá devido ao regime semiaberto, ele foi até a casa da companheira e a agrediu com um capacete de motocicleta, mesmo existindo medida protetiva em vigor.

Ele chegou a ser preso novamente por violência doméstica e descumprimento de medida protetiva, mas ainda assim voltou a ser beneficiado com o regime semiaberto.

Há ainda a suspeita de que Marcos tenha participado da morte de uma tia em 2018, quando ainda era menor de idade. A vítima também foi encontrada nua dentro de um córrego após desaparecer por dois dias. Não há confirmação oficial se ele chegou a responder judicialmente por esse caso.

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