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Entidades representativas do setor de combustíveis se manifestaram sobre as recentes medidas adotadas pelo Governo Federal para conter a alta no preço do diesel. Em nota conjunta, as organizações reconhecem o esforço da gestão em mitigar os impactos imediatos ao consumidor, mas fazem alertas sobre possíveis efeitos no médio e longo prazo.
Segundo o posicionamento, as iniciativas têm caráter emergencial e buscam reduzir os efeitos da volatilidade internacional do petróleo, mesmo com a renúncia de parte das receitas tributárias. No curto prazo, a expectativa é de alívio sobre os custos do transporte de cargas, da produção agropecuária e da inflação de alimentos, especialmente em um momento de alta demanda sazonal impulsionada pelas safras agrícolas.
Apesar disso, o setor chama atenção para a vulnerabilidade estrutural do país. Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, o que mantém o mercado interno exposto às oscilações dos preços internacionais.
As entidades também destacam que intervenções como subsídios temporários, alterações na base de tributação e fortalecimento dos mecanismos de fiscalização podem gerar distorções e insegurança regulatória. Para o setor, a falta de previsibilidade pode comprometer a dinâmica de oferta e afetar o equilíbrio na formação de preços ao longo da cadeia.
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Nesse cenário, o papel da Petrobras é considerado central, já que a companhia responde pela maior parte do abastecimento de derivados no país. O recente reajuste no preço do diesel, anunciado em 13 de março de 2026, é interpretado como uma resposta parcial ao problema de abastecimento, que vinha sendo administrado por meio de leilões — prática que tende a aproximar os preços internos dos patamares internacionais.

Outro ponto de preocupação citado na nota é a possibilidade de criação de um imposto de exportação sobre o petróleo bruto. Na avaliação das entidades, a medida pode reduzir a competitividade do setor, aumentar a percepção de risco regulatório e prejudicar a atração de investimentos em um segmento que depende de estabilidade e previsibilidade.
As organizações reforçam que soluções estruturais passam pelo alinhamento dos preços ao mercado internacional, pelo estímulo à concorrência e pela adoção de políticas que garantam o equilíbrio entre oferta e demanda, evitando intervenções pontuais que possam comprometer a sustentabilidade do setor no longo prazo.



