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O Paquistão bombardeou, na madrugada desta sexta-feira (27), posições do governo do Talibã nas principais cidades do Afeganistão, incluindo Cabul e Kandahar. É a primeira vez que Islamabad ataca diretamente seus antigos aliados desde a retomada do poder pelos insurgentes, em 2021.
Horas após a ofensiva, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, classificou a situação como “guerra aberta”, indicando uma ruptura drástica nas relações entre os dois países islâmicos.
Bombardeios e confronto direto

Fontes de segurança paquistanesas afirmaram que os ataques envolveram mísseis ar-terra contra escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e na província de Paktia. Houve ainda confrontos terrestres ao longo da fronteira de 2.600 quilômetros que separa os dois países.
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Os dois lados divulgaram números divergentes sobre mortos e feridos. Segundo o governo paquistanês, 133 combatentes talibãs teriam sido mortos e mais de 200 feridos. Já o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que 55 soldados paquistaneses morreram nos confrontos. A agência Reuters informou que não conseguiu verificar os dados de forma independente.
Moradores de Cabul relataram explosões intensas e colunas de fumaça negra. Ambulâncias circularam pela capital após os bombardeios. O Talibã confirmou os ataques, mas não detalhou os danos.
Ataque com drones e troca de acusações
O Ministério da Defesa do Talibã afirmou ter realizado ataques com drones contra alvos militares no Paquistão. Islamabad, por sua vez, declarou que os equipamentos foram abatidos sem vítimas.
O governo paquistanês sustenta que a ofensiva foi resposta a “ataques afegãos não provocados” e acusa Cabul de abrigar militantes do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e do Estado Islâmico. O Talibã nega e afirma que a segurança interna do Paquistão é um problema doméstico.
Risco regional e mediação internacional
A escalada preocupa a comunidade internacional. Potências como Rússia, China, Turquia e Arábia Saudita tentam mediar o conflito. O Irã, que faz fronteira com ambos, também ofereceu apoio diplomático.

O Paquistão, potência nuclear com forças armadas significativamente superiores às do Afeganistão, enfrenta um adversário com longa experiência em guerra de guerrilha. O Talibã acumulou décadas de combate contra tropas lideradas pelos Estados Unidos antes de reassumir o poder.
A nova ofensiva ameaça desencadear um conflito prolongado em uma das regiões mais instáveis do planeta, com potencial de impactos geopolíticos amplos e imprevisíveis.




