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O que deveria ser uma formalidade burocrática no Cartório do Capão Grande, em Várzea Grande, transformou-se em uma cena de terror na tarde desta sexta-feira (23). Maykon Rios de Almeida, de 32 anos, foi preso em flagrante após ameaçar de morte sua ex-companheira, N.C.G., que está grávida de sete meses. A violência, motivada por disputas financeiras sobre pensão alimentícia, escalou a ponto de funcionários precisarem esconder a vítima e seus filhos para evitar uma tragédia.
O Estopim: R$ 57 e uma dívida antiga
O cenário de tensão não começou no cartório. Segundo o depoimento da vítima, Maykon acumulava uma dívida de pensão alimentícia estimada em R$ 25.000,00 referente ao filho de quatro anos do casal. Após ser notificado judicialmente em dezembro, o eletricista passou a pressionar a ex-mulher para reduzir os valores e aceitar um acordo.
Na tentativa de “ajudar” o ex-companheiro, N.C.G. aceitou ir à Defensoria Pública e, posteriormente, ao cartório na Avenida Frei Coimbra para reconhecer firma de um documento que selaria o novo acordo. O pacto previa o pagamento da pensão atual mais R$ 200,00 mensais para abater o débito antigo.
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A situação saiu de controle no guichê de atendimento. Ao serem informados de uma taxa cartorária de R$ 57,00, Maykon exigiu que a gestante pagasse a conta. Diante da recusa de N.C.G., que argumentou já estar fazendo o favor de renegociar a dívida dele, o suspeito explodiu.
Na frente de funcionários e clientes, ele disparou a frase registrada ipsis litteris no boletim de ocorrência:
“Vou ter que te matar aqui pra resolver essa situação”.
Pânico e tentativa de suborno
A agressividade foi tamanha que funcionários do cartório intervieram imediatamente. Enquanto Maykon foi colocado para fora, N.C.G. e seus filhos — incluindo a criança fruto do relacionamento e outro menor, identificado apenas pelas iniciais — foram recolhidos em uma sala reservada para garantir sua integridade física até a chegada da Polícia Militar.
A Polícia Militar, acionada via Ciosp para atender uma ocorrência de “briga e gritaria onde um individuo avançava sobre uma mulher gestante”, deteve Maykon ainda no local.
O comportamento do suspeito na delegacia agravou sua situação jurídica. De acordo com o depoimento do policial militar Marcos Neres de Paiva, condutor do flagrante, Maykon tentou comprar o silêncio da vítima mesmo sob custódia policial.
“Durante o atendimento da ocorrência, o suspeito oferecia a quantia de R$ 5.000,00 para a vítima não prosseguir com a queixa”.
Histórico de violência
Aos policiais, N.C.G. revelou que esta não foi a primeira ameaça. Dias antes, por telefone, Maykon já havia adotado um tom macabro para pressioná-la sobre a dívida da pensão.
“Será que eu vou ter que ir ai cortar sua garganta para resolver essa situação”.
Diante da gravidade dos fatos e da reincidência das ameaças, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência.
A versão do suspeito e a decisão da polícia
Interrogado pelo delegado Alcindo Rodrigues da Silva, Maykon admitiu a discussão e o fato de ter “alterado a voz”, mas negou a ameaça de morte explícita. Alegou que “foi só momento de raiva e esta arrependido do que fez”. Ele confirmou que o motivo da briga era a tentativa de baixar o valor da pensão, pois “não esta conseguindo pagar o valor estipulado”.
A autoridade policial não se convenceu. O delegado negou o direito à fiança na esfera policial, citando o risco à integridade física e psíquica da vítima e a necessidade de maior rigor em casos de violência doméstica, conforme a Lei Maria da Penha.

“Esta Autoridade Policial (…) salienta ser inviável a concessão de fiança neste momento, razão pela qual DEIXO DE ARBITRÁ-LA”.
Maykon Rios de Almeida permanece preso à disposição da Justiça e deve passar por audiência de custódia neste sábado (24). O caso segue para a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM).



