Mato Grosso, sábado, 08 de maio de 2021

Investigador de Confresa reforça a atuação da Polícia Civil em uma região que poucos querem atuar

Camila Molina/Polícia Civil-MT

Reforçando o trabalho da Polícia Civil de Mato Grosso em uma região distante da Capital e dos grandes centros do estado, o investigador Josué Martins dos Santos, lotado na Delegacia de Confresa (1.160 km a nordeste de Cuiabá), escolheu a cidade para se dedicar à carreira policial e construir nova vida. 

Quando surgiu a possibilidade de ingressar na Polícia Civil com a abertura do concurso público no ano de 2005, Josué morava na sua cidade natal, Barra do Garças e há algum tempo já estudava com a intenção de atuar na carreira de policial federal. 

Diante da insistência de amigos e parentes, Josué decidiu fazer o concurso da Polícia Civil de Mato Grosso, sendo classificado no certame e passando pelas demais fases do concurso até iniciar a Academia de Polícia (Acadepol), em Cuiabá, em 2008. 

O investigador lembra que sua intenção era ser lotado em Barra do Garças, porém era da segunda turma de aprovados e as vagas em sua cidade natal foram preenchidas pelos policiais da primeira turma. Como tinha uma irmã que morava na região do Araguaia, Josué optou pela lotação em Confresa e foi lotado na delegacia do município após a conclusão da academia. 

Iniciando uma nova vida na cidade, o investigador, logo que chegou, encontrou uma situação confortável na delegacia, fato que poucos dias depois mudou, quando o efetivo da unidade ficou bastante deficitário com a remoção de colegas. 

“É algo que sempre acontece nas regiões mais distantes dos grandes centros, com a chegada de novos policiais. Os mais antigos começam a pedir para ir embora, querem ficar perto da família e logo tivemos que lidar com as dificuldades da falta de efetivo. Na época, era um só um delegado para responder por várias cidades do Araguaia e toda essa pressão e stress era refletida para equipe”, lembra. 

Cerca de um ano após o início da carreira, Josué vivenciou uma história triste e mesmo passados alguns anos, ainda o marca profundamente, que foi a perda de um colega de profissão em 2009, quando um preso utilizando um canivete atacou os policiais dentro da delegacia. 

O suspeito havia sido conduzido pela Polícia Militar, sem documentos e em visível estado de embriaguez. Ele aproveitou o momento em que foi retirado da cela, para pegar o canivete que estava escondido em sua roupa e atacar os policiais. 

Na ocasião, o investigador Orlando Silveira, de 44 anos, foi atingido no pescoço e não resistiu aos ferimentos, morrendo logo em seguida. Outros três policiais foram gravemente feridos. O preso só foi contido após uma policial conseguir atirar em sua perna.

“Das situações que vivenciei na minha carreira policial, entre operações, ações de confronto com criminosos, nenhuma teve o mesmo impacto que essa. A perda de um amigo dentro da delegacia abalou toda a equipe e deixou todos para baixo, desnorteados com a situação”, lamenta. 

Da época que entrou até os dias atuais, o investigador vê muitas mudanças, principalmente, relacionadas ao número de servidores na região e a estrutura das unidades policiais. 

“Hoje a Delegacia Regional fica em Confresa, temos mais servidores e delegados que respondem por unidades específicas, o que é fundamental, pois em momentos de ação precisamos de quem nos dê as diretrizes, tonando o trabalho da Polícia Civil mais direcionado e qualificado”, disse.

Mesmo após anos de carreira, Josué ressalta que um dos grandes desafios da profissão é mostrar o trabalho diário desenvolvido pela Polícia Civil para a população, uma vez que o trabalho de investigação muitas vezes não tem resultado imediato e tem que passar por várias etapas até o esclarecimento dos crimes, em especial casos mais graves, como roubos, homicídios e latrocínios. 

O investigador que deixou casa e família em Barra do Garças para seguir carreira e construir  vida nova em Confresa disse que toda a experiência vivida desde que ingressou na Polícia Civil trouxe engrandecimento pessoal e profissional.

 “Saí da casa dos meus pais para uma região distante, para enfrentar os desafios de uma nova profissão e de viver sozinho. Acabei escolhendo aqui para fixar casa, construir minha família, criar meus filhos. Esse é o presente que a carreira me trouxe e é para isso que me dedico todos os dias”, finalizou o investigador.

Fonte: PJC MT

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