Mato Grosso, 19 de outubro de 2019

Não tem “B” nem tem “A”: plano de Bolsonaro para a economia é vender o que der, diz Fernando Brito

Para o editor do Tijolaço, Fernando Brito, fica cada vez mais claro que Jair Bolsonaro nunca teve plano algum para gerar empregos e tirar o país da estagnação econômica. “Políticas econômicas podem dar errado, mas a ausência de uma sempre dá errado”, diz6 de outubro de 2019, 14:06 h

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
Paulo Guedes e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Correa/PR)

Por Fernando Brito, no Tijolaço – É impressionante o deserto mental de Jair Bolsonaro ao falar sobre os rumos da economia de nosso país.

“Não tem plano B. A economia é 100% com o Guedes. Não discuto. É 100% com o Guedes. Dou sugestões às vezes, de vez em quando eu tenho razão, ele diz que vai tomar providência”, diz ele ao Estadão, em entrevista com direito a pose de jogador de futebol em transmissão esportiva, mesmo que o time vá mal.

E vai.

Depois de nove meses de governo está claro que não havia e não há um “Plano A”, está claro que o governo não tem plano algum para arrancar o Brasil da estagnação.

As únicas iniciativas relevantes foram retardar a concessão e reduzir os benefícios das aposentadorias – o que não vai, no curto prazo, significar nenhum alívio fiscal – e vender patrimônio para obter folga de caixa, aliás insuficiente.

Nenhuma palavra sobre a crise na indústria, zero sobre o potencial do petróleo, coisa alguma sobre consumo e crédito, exceto que a Caixa Econômica baixou os juros do cheque especial. Baixou, de fato, para “apenas” 10% ao mês, com uma inflação de 4% ao ano.

Menos ainda sobre a teimosa estagnação do PIB e para as crescentes previsões de que, ano que vem, repete-se a dose zero.

A entrevista é uma dissertação primária sobre o nada, um retrato das miudezas mentais de alguém que não tem qualquer estratégia de desenvolvimento autônomo do Brasil e que só enxerga como oportunidade “estar bem” com os EUA – ou o trumpismo.

Parece não perceber que a economia mundial está na iminência, senão de um terremoto, de uma desaceleração como a que experimentou uma década atrás e que nós, de lambuja, ainda temos conexão relevante com nossos vizinhos de subcontinente sul-americano, quase todos metidos em crises e convulsões políticas: Venezuela, Argentina e agora Peru e Equador. 

As prioridades nacionais são afundar barcos diante de hotéis para atrair turistas-mergulhadores, produzir bugigangas de nióbio ou suspender a importação de três caminhões de bananas equatorianas.

Empregos? Viva o Temer, diz ele, argumentando que “se o Temer não fizesse a reforma trabalhista, estaria numa situação pior do que estava antes”.

Políticas econômicas podem dar errado, mas a ausência de uma sempre dá errado.

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